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Acidente com perfurocortante

Nesta publicação estaremos respondendo a várias perguntas como: o que fazer após acidente com perfurocortante?

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1. O que é acidente com Perfurocortante ?

São acidentes causados por seringas, agulhas, escalpes, ampolas, vidros de um modo geral ou, qualquer material pontiagudo ou que contenha fios de corte capazes de causar perfurações ou cortes, após serem contamidos com sangue, amostras, materiais de coleta, contendo  vírus, bactérias, fungos e outros micro-organismos .

2. Quais são os riscos dos acidentes de Perfuro-cortantes?

A exposição ocupacional a materiais biológicos potencialmente contaminados continua a representar um sério risco para os profissionais de saúde em seus locais de trabalho, e acidentes envolvendo sangue e outros fluidos corporais são as exposições mais comumente relatadas.

A característica dos laboratórios clínicos é a utilização de materiais clínicos potencialmente infecciosos no ambiente de trabalho, incluindo perfurocortantes, como agulhas, lâminas, pinças, vidrarias, etc. 

Esses materiais aumentam os riscos ocupacionais para o pessoal que já está no ambiente de trabalho.

Os acidentes com agulhas espalham muitas doenças envolvendo vírus, bactérias, fungos e outros microorganismos para profissionais de saúde, pesquisadores de laboratório e veterinários.

Podem causar as seguintes Doenças

As doenças infecciosas que podem ter como fonte de infecção o acidente com material perfurocortante, incluem:

  • Blastomicose
  • Brucelose
  • Criptococose
  • Difteria
  • Gonorréia cutânea
  • Herpes
  • Malária
  • Micobacteriose
  • Mycoplasma caviae
  • A febre maculosa
  • Esporotricose
  • Staphylococcus aureus
  • Streptococcus pyogenes
  • Sífilis
  • Toxoplasmose
  • Tuberculose
  • entre outras.

Muitas dessas doenças se propagam em raros incidentes isolados. 

No entanto, eles continuam a provar que ferimentos com agulhas podem ter consequências graves. 

Considerando que o risco médio de exposição da mucosa intacta é de 0,1%, e quando a pele íntegra está exposta, o risco é inferior a 0,1%, então o risco de ser contaminado por diferentes agentes infecciosos é variável. 

No entanto, materiais cortantes em um hospital ou ambiente de laboratório geralmente transportam sangue ou secreções, aumentando o risco de os profissionais de saúde contrairem doenças infecciosas, especialmente o HIV e os vírus da hepatite.

3. O que fazer após acidente com Perfurocortante contaminado?

PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NOS CASOS DE EXPOSIÇÃO AOS MATERIAIS BIOLÓGICOS segundo: RECOMENDAÇÕES PARA ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DE EXPOSIÇAO OCUPACIONAL A MATERIAL BIOLÓGICO: HIV E HEPATITES B e C

CUIDADOS IMEDIATOS COM A ÁREA DE EXPOSIÇÃO

Recomenda-se como primeira conduta, após a exposição a material biológico, os cuidados imediatos com a área atingida. 

Essas medidas incluem a lavagem exaustiva do local exposto com água e sabão nos casos de exposições percutâneas ou cutâneas. Apesar de não haver nenhum estudo que demonstre o benefício adicional ao uso do sabão neutro nesses casos, a utilização de soluções anti-sépticas degermantes é uma opção. 

Não há nenhum estudo que justifique a realização de expressão do local exposto como forma de facilitar o sangramento espontâneo. Nas exposições de mucosas, deve-se lavar exaustivamente com água ou com solução salina fisiológica.

Procedimentos que aumentam a área exposta (cortes, injeções locais) e a utilização de soluções irritantes como éter, hipoclorito ou glutaraldeído são contra-indicados.

QUIMIOPROFILAXIA PARA O HIV

PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NOS CASOS DE EXPOSIÇÃO AOS MATERIAIS BIOLÓGICOS segundo:  RECOMENDAÇÕES PARA ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DE EXPOSIÇAO OCUPACIONAL A MATERIAL BIOLÓGICO: HIV E HEPATITES B e C 

As principais evidências da quimioprofilaxia pós-exposição ocupacional (PEP) dos medicamentos antiretrovirais na redução da transmissão do HIV estão baseadas em:

Estudo caso-controle, multicêntrico, envolvendo profissionais de saúde que tiveram exposições percutâneas com sangue sabidamente infectado pelo HIV (Tabela 1), no qual o uso do medicações foi associado a um efeito protetor de 81% (IC95% = 43 – 94%);

Evidências com os protocolos de uso de anti-retrovirais para prevenção da transmissão vertical do HIV sugerindo um efeito protetor com o uso dos medicamentos pós-exposição;

Dados de experimentos em animais, principalmente, após as recentes melhorias na metodologia de inoculação viral.

A quimioprofilaxia pós-exposição ao HIV é complexa, por englobar tanto a falta de dados mais precisos sobre o risco relativo de diferentes tipos de exposição (p.ex. risco de lesões superficiais x profundas, agulhas com lúmen x agulhas de sutura, exposição a sangue x outro material biológico), quanto o risco de toxicidade dos medicamentos anti-retrovirais.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PACIENTE FONTE

PROCEDIMENTOS RECOMENDADOS NOS CASOS DE EXPOSIÇÃO AOS MATERIAIS BIOLÓGICOS segundo: MINISTÉRIO DA SAÚDE RECOMENDAÇÕES PARA ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO DE EXPOSIÇAO OCUPACIONAL A MATERIAL BIOLÓGICO: HIV E HEPATITES B e C 

O paciente-fonte deverá ser avaliado quanto à infecção pelo HIV, hepatite B e hepatite C, no momento da ocorrência do acidente.

Informações disponíveis no prontuário sobre resultados de exames laboratoriais, história clínica prévia e diagnóstico de admissão somente serão considerados, se positivos para determinada infecção (HIV,HBV, HCV).

Se o paciente-fonte é conhecido, mas a informação sobre doença prévia ou situação sorológica para HIV, HBV, HCV é desconhecida, é preciso orientá-lo sobre a importância da realização dos exames sorológicos para o profissional de saúde acidentado.

O aconselhamento prévio para realização do exame é necessário. 

Os exames laboratoriais devem ser colhidos, preferencialmente, logo após o acidente. 

Oportunidades perdidas de coleta de amostras podem ocorrer caso o paciente seja transferido, tenha alta ou evolua para o óbito, por exemplo. 

Os resultados dos exames sorológicos devem ser sempre comunicados aos pacientes. Na presença de qualquer evidência de infecção o paciente deverá ser encaminhado para acompanhamento clínico-laboratorial.

Se a fonte da exposição não é conhecida ou não pode ser testada, deve-se avaliar a probabilidade clínica e epidemiológica da infecção pelo HIV, HBV ou HCV.

Algumas situações e tipos de exposição podem sugerir um risco aumentado ou reduzido da transmissão. 

Importantes itens a serem considerados são a prevalência da infecção naquela localização, origem do material (áreas de alto risco como serviços de emergência, centro cirúrgico, diálise, entre outros) e a gravidade do acidente.

Em caso de acidente com Perfurocortante comunique imediatamente o seu superior e siga rigorosamente os procedimentos técnicos e recomendações  da sua unidade de saúde.

REGISTRO DE OCORRÊNCIA DO ACIDENTE DE TRABALHO

Os acidentes de trabalho deverão ter um protocolo de registro com informações sobre avaliação, aconselhamento, tratamento e acompanhamento de exposições ocupacionais que envolvam patógenos de transmissão sanguínea.

Condições do acidente:

  • data e horário da ocorrência
  • avaliação do tipo de exposição e gravidade
  • área corporal do profissional atingida no acidente
  • tipo, quantidade de material biológico e tempo de contato envolvidos na exposição
  • utilização ou não de EPI pelo profissional de saúde no momento do acidente o causa e descrição do acidente
  • local do serviço de saúde de ocorrência do acidente
  • detalhe do procedimento realizado no momento da exposição, incluindo tipo e marca do artigo médico-hospitalar utilizado.

Dados do paciente-fonte:

  • história clínica e epidemiológica
  • resultados de exames sorológicos e/ou virológicos
  • Infecção pelo HIV/aids ? estágio da infecção, histórico de tratamento antiretroviral, carga viral, teste de resistência.

Dados do profissional de saúde

  • Identificação
  • Ocupação
  • Idade
  • Datas de coleta e os resultados dos exames laboratoriais
  • Uso ou não de profilaxia anti-retroviral
  • Reações adversas ocorridas com a utilização de anti-retrovirais
  • Uso ou não de imunoglobulina hiperimune e vacina para hepatite B e possíveis efeitos adversos
  • Uso de medicação imunossupressora ou história de doença
    imunossupressora
  • Histórico de imunizações – hepatite B, resposta vacinal
  • A recusa do profissional acidentado para a realização de testes sorológicos ou para o uso das quimioprofilaxias específicas deve ser registrada e atestada pelo profissional. 
  • Condutas indicadas após o acidente, acompanhamento clínico-epidemiológico planejado e o responsável pela condução do caso
  • Aconselhamento, manejo pós-exposição

 

Abertura de CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho

Apesar de serem regimes jurídicos diferenciados que regem a categoria dos trabalhadores públicos e privados, em ambas as codificações, há necessidade de ser feita a comunicação do acidente de trabalho, sendo que para a legislação privada essa comunicação deverá ser feita até o próximo dia útil, por meio de formulário denominado CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho. 

O Regime Jurídico Único (RJU) dos funcionários da União, Lei no 8.112/90, regula o acidente de trabalho nos artigos 211 a 214, sendo que o fato classificado como acidente de trabalho deverá ser comunicado até 10 (dez) dias após o ocorrido. 

Os funcionários dos Estados e dos Municípios devem observar Regimes Jurídicos Únicos que lhes são específicos. Segue abaixo o link para um post demonstrando como realizar a Abertura da CAT

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4. O que fazer para prevenir acidente com perfurocortante?

A abordagem principal é reduzir o risco de acidentes com materiais cortantes para os profissionais de saúde. 

A primeira é cumprir as normas estabelecidas pelo órgão competente do órgão, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), medidas de manuseio e destinação adequada de materiais. 

A segunda é fornecer aos profissionais conhecimentos e materiais que proporcionem maior segurança no manuseio e descarte.

Desde que o padrão foi lançado, vários dispositivos médicos foram desenvolvidos para reduzir o risco de acidentes com materiais cortantes. 

O uso de dispositivos de agulha inovadores com portas autovedantes ou sistemas sem agulha pode reduzir o risco de acidentes.

Os acidentes podem ocorrer em qualquer fase do processo de coleta, mas geralmente só acontecem quando os trabalhadores tentam fazer várias coisas ao mesmo tempo, principalmente na ou a eliminação de agulhas. 

Portanto, as condições de trabalho que podem contribuir para um aumento no número de acidentes com agulhas incluem: 

  • Redução de pessoal, onde os profissionais assumem funções adicionais; 
  • Situações difíceis no atendimento ao paciente; 
  • Iluminação reduzida do local de trabalho; 
  • Experiências profissionais, quando novos funcionários tendem a sofrer mais acidentes com agulhas do que funcionários mais experientes; 
  • O reencapar da agulha pode ser responsável por 25 a 30 por cento de todos os ferimentos com seringas para equipe de enfermagem e de laboratório. Frequentemente, é a causa mais comum. 

Priorização das medidas de controle

Mais recentemente, os serviços de saúde adotaram a hierarquia de controles, para priorizar as intervenções de prevenção, que incluem:

  • Eliminar e reduzir o uso de perfurocortantes quando possível;
  • Isolar o perigo, através do controle do ambiente ou do material;
  • Mudanças na prática de trabalho e uso de EPIs.

Embora a prevenção da exposição ao sangue seja considerada uma medida primária para prevenir a infecção ocupacional pelo HIV, o manejo adequado da pós-exposição é um elemento importante na promoção da segurança do ambiente de trabalho, pois reduz o risco de soroconversão.

O Laboratório deve ter um programa de notificação de incidentes, ou seja, lesões, acidentes e doenças ocupacionais, bem como perigos potenciais. 

A documentação do incidente deve ser feita de forma detalhada, com a descrição do incidente, a causa provável, recomendações para prevenir incidentes semelhantes e ações para que haja aderência aos padrões estabelecidos pelos profissionais.

As unidades devem implementar programas para diminuir a quantidade de acidentes causados por perfurocortantes. Segue artigo sobre a elaboração de Programa de Prevenção Perfuro-Cortante

5. Quais os equipamentos de proteção individual EPI obrigatórios?

Disponibilidade e adequação dos equipamentos de proteção individual (EPI – dispositivos de uso individual destinados a proteger a integridade física do profissional), incluindo luvas, protetores oculares ou faciais, protetores respiratórios, aventais e proteção para os membros inferiores:

– Luvas – indicadas sempre que houver possibilidade de contato com sangue, secreções e excreções, com mucosas ou com áreas de pele não íntegra (ferimentos, escaras, feridas cirúrgicas e outros). Apesar de não existir um benefício cientificamente comprovado de redução dos riscos de transmissão de patógenos sanguíneos, o uso de duas luvas reduz, de forma significativa, a contaminação das mãos com sangue e, portanto, tem sido recomendado em cirurgias com alto risco de exposições (p.ex. obstétricas, ortopédicas, torácicas). A redução da sensibilidade tátil e as parestesias dos dedos podem dificultar essa prática entre alguns cirurgiões.

– Máscaras, gorros, óculos de proteção, Protetor Facial e respirador PFF2/N95 – indicados durante a realização de procedimentos em que haja possibilidade de respingos de sangue e outros fluidos corpóreos, nas mucosas da boca, nariz e olhos do profissional;

– Capotes (aventais de algodão ou de material sintético) – devem ser utilizados durante os procedimentos com possibilidade de contato com material biológico, inclusive em superfícies contaminadas e;

– Calçados fechados e botas – proteção dos pés em locais úmidos ou com quantidade significativa de material infectante (p.ex. centros cirúrgicos, áreas de necrópsia e outros). Para os pés, habitualmente compostos por material permeável, usados com sandálias e sapatos abertos não permitem proteção adequada.

– Protetor Facial – deverá ser utilizado em casos manipulações de alto risco.

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