Saber quais são os tipos de EPI e como cada um protege o trabalhador é o primeiro passo para uma gestão eficaz de segurança do trabalho. A NR-6 classifica os EPIs por parte do corpo protegida e por tipo de risco, e existe uma variedade enorme de equipamentos disponíveis no mercado. Neste artigo, apresentamos os principais exemplos de EPIs, com descrição de cada um, os riscos que protegem e dicas de uso correto.

O que são EPIs?

De acordo com a NR-6, EPI (Equipamento de Proteção Individual) é todo dispositivo ou produto de uso individual destinado à neutralização de riscos capazes de ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador. Todo EPI comercializado no Brasil deve ter o CA (Certificado de Aprovação) válido, emitido pelo Ministério do Trabalho.

Exemplos de EPIs por Parte do Corpo

Proteção da Cabeça

  • Capacete de segurança Classe A: proteção contra impactos e choques elétricos de baixa tensão. Uso obrigatório em obras, construção civil e indústrias com risco de queda de objetos.
  • Capacete Classe B: proteção contra impactos e choques elétricos de alta tensão. Obrigatório para eletricistas que trabalham em instalações de alta tensão.
  • Capuz de proteção química: proteção da cabeça e pescoço contra respingos de produtos químicos corrosivos.
  • Capuz Balaclava: proteção contra calor radiante, utilizado por bombeiros e trabalhadores próximos a fornos e fundições.

Proteção dos Olhos e Face

  • Óculos de segurança com lentes incolores: proteção contra impactos de partículas e respingos. Uso cotidiano em metalúrgicas, serralheiras e laboratórios.
  • Óculos com lentes escuras: proteção contra radiação ultravioleta e infravermelha. Indicado para soldadores auxiliares e trabalho em ambientes com intensa luz solar.
  • Protetor facial (face shield): cobertura completa da face contra respingos, faíscas e partículas. Complementa os óculos de segurança em operações de risco elevado.
  • Máscara de solda com filtro automático: escurece automaticamente no momento do arco voltaico, protegendo os olhos contra a radiação intensa da soldagem.

Proteção Auditiva

  • Protetor auditivo plug de espuma (descartável): inserido no canal auditivo, atenua de 20 a 30 dB. Prático e de baixo custo, indicado para uso diário em ambientes com ruído moderado a intenso.
  • Protetor auditivo plug reutilizável com cordão: maior durabilidade que o descartável, com atenuação similar. O cordão evita perda do equipamento.
  • Protetor auditivo tipo concha: cobre externamente toda a orelha, com atenuação de 25 a 35 dB. Indicado para ambientes com ruído muito intenso ou para uso intermitente.
  • Protetor auditivo com comunicação: permite comunicação via rádio ou Bluetooth mesmo em ambientes ruidosos. Indicado para operadores de equipamentos pesados e supervisores de obra.

Proteção Respiratória

  • Máscara PFF1: filtra 80% das partículas. Uso em ambientes com poeira moderada, como lixamento de madeira.
  • Máscara PFF2 / N95: filtra 94% das partículas. Usada por profissionais de saúde, trabalhadores expostos a aerossóis e ambientes com poeiras finas.
  • Máscara PFF3: filtra 99% das partículas. Para ambientes de altíssimo risco biológico ou com nanopartículas.
  • Respirador de meia-face com filtro químico: proteção contra vapores orgânicos, ácidos, bases e outros agentes químicos. Indicado para pintores, técnicos de laboratório e trabalhadores em câmaras de tratamento de superfície.
  • Respirador de face inteira: proteção completa das vias respiratórias, olhos e face. Para ambientes com alta concentração de agentes nocivos.
  • Máscara autônoma (SCBA): fornece ar comprimido por pressão positiva. Obrigatória em espaços confinados com deficiência de oxigênio ou contaminação por gases tóxicos.

Proteção das Mãos e Braços

  • Luvas de raspa de couro: proteção contra abrasão e calor moderado. Usadas por soldadores, funileiros e trabalhadores em obras.
  • Luvas de borracha nitrílica: resistência a óleos, graxas e produtos químicos. Indicadas para mecânicos e trabalhadores em contato com lubrificantes.
  • Luvas de PVC: resistência a ácidos, bases e solventes. Para manipulação de produtos químicos líquidos corrosivos.
  • Luvas de malha de aço: proteção máxima contra cortes. Obrigatórias em açougues, frigoríficos e indústrias de processamento de alimentos.
  • Luvas isolantes para eletricidade (classes 00 a 4): proteção contra choque elétrico em diferentes níveis de tensão. Devem ser testadas periodicamente.
  • Luvas criogênicas: proteção contra temperaturas extremamente baixas. Para manipulação de nitrogênio líquido e outros criogênicos.

Proteção dos Pés e Pernas

  • Calçado de segurança com biqueira de aço: proteção contra impactos e compressão. Padrão nas indústrias e construção civil.
  • Bota dielétrica: sem partes metálicas, isolante elétrico. Para eletricistas.
  • Bota impermeável de PVC: proteção química e contra umidade. Para trabalho em ambientes molhados e com produtos químicos.
  • Perneira de couro: proteção das pernas contra respingos de solda, faíscas e animais peçonhentos.

Proteção do Tronco e Corpo Inteiro

  • Avental de couro: proteção do tronco contra respingos de solda e calor.
  • Avental de PVC: proteção contra respingos de produtos químicos.
  • Macacão Tyvek (descartável): proteção contra agentes biológicos, poeiras finas e produtos químicos em pó.
  • Vestimenta aluminizada: proteção contra calor radiante intenso. Para trabalhadores próximos a fornos, fundições e incêndios.

Proteção Contra Quedas

  • Cinto de segurança tipo paraquedista: obrigatório em trabalhos em altura acima de 2 metros (NR-35). Distribui a força de impacto por todo o corpo em caso de queda.
  • Talabarte de segurança simples: conecta o cinto a um ponto de ancoragem. Impede que o trabalhador caia mais do que o comprimento do talabarte.
  • Talabarte com absorvedor de energia: reduz a força de impacto sobre o corpo em caso de queda. Obrigatório quando a distância de queda livre pode ser superior a 1 metro.
  • Trava-quedas deslizante: dispositivo que acompanha o trabalhador na linha de vida e trava automaticamente em caso de queda.

Conclusão

A escolha correta do EPI começa pela identificação dos riscos presentes em cada função — tarefa do PCMSO, do PGR e do profissional de segurança do trabalho. Com os riscos identificados, selecione EPIs com CA válido, garanta o fornecimento gratuito, treine os trabalhadores no uso correto e fiscalize o uso. EPI usado errado ou EPI de má qualidade não protege — e a empresa continua responsável pelos acidentes que poderiam ter sido evitados.

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