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Resumido e Revisados – 2023

Selecionar o EPI correto para cada função não é uma tarefa intuitiva — exige conhecimento dos riscos, das normas técnicas e das características de cada equipamento. Nesta segunda parte do guia de seleção de EPIs, abordamos os critérios de escolha para EPIs de uso frequente em setores específicos: construção civil, indústria química, serviços de saúde e trabalho em altura. Se você ainda não leu a Parte I, recomendamos que comece por ela.

Seleção de EPI para Construção Civil

Riscos Predominantes

A construção civil é o setor com maior número de acidentes fatais no Brasil. Os principais riscos são queda de altura, queda de objetos, choque elétrico, exposição a poeiras (especialmente sílica) e soterramento.

EPIs Essenciais e Critérios de Seleção

  • Capacete: Classe A para a maioria das funções; Classe B obrigatório para eletricistas. Verificar se o modelo aceita viseira e protetor auricular acoplado
  • Proteção respiratória: PFF2 mínimo para corte e lixamento de concreto, tijolos e pedras (risco de sílica). PFF3 para demolição de materiais antigos que possam conter amianto
  • Bota: biqueira de aço + solado antiperfurante (palmilha de aço) + solado antiderrapante. Em locais com risco elétrico, bota dielétrica
  • Cinto paraquedista: obrigatório em qualquer trabalho acima de 2 metros (NR-35). Verificar a classe do cinto conforme o tipo de trabalho em altura
  • Luvas: raspa de couro para manuseio de materiais abrasivos; nitrílica para manuseio de produtos químicos (impermeabilizantes, solventes, resinas)

Seleção de EPI para Exposição a Agentes Químicos

Como Identificar o EPI Correto

Para agentes químicos, a seleção exige consulta à FDS (Ficha de Dados de Segurança) do produto — documento obrigatório que todo produto químico perigoso deve ter. A FDS indica o EPI recomendado para manuseio, derramamento e emergência.

  • Luvas: o material importa muito. Nitrílica para óleos e solventes leves; PVC para ácidos e bases; neoprene para solventes clorados; borracha natural para cetonas e álcoois
  • Proteção respiratória: filtros específicos para cada agente. Filtro A (vapores orgânicos), B (gases inorgânicos), E (ácidos), P (partículas). A combinação de filtros é possível
  • Óculos e protetor facial: para qualquer manipulação com risco de respingo. Protetor facial sempre que o risco for de respingo em quantidade
  • Vestimenta: avental de PVC para respingos; macacão Tyvek para poeiras químicas; vestimenta impermeável para imersão parcial

Seleção de EPI para Serviços de Saúde

A NR-32 regulamenta a segurança nos serviços de saúde. Os riscos principais são biológicos (contato com sangue, fluidos e agentes infecciosos) e químicos (medicamentos, produtos de limpeza, agentes anestésicos).

  • Luvas de procedimento: latex ou nitrílica para procedimentos de risco biológico moderado. Luvas estéreis para procedimentos cirúrgicos
  • Máscara cirúrgica vs PFF2: máscara cirúrgica protege outros do usuário; PFF2 protege o usuário de aerossóis. Em procedimentos geradores de aerossóis (intubação, nebulização, broncoscopia), PFF2 é obrigatória
  • Avental e capote: avental impermeável para procedimentos com risco de contato com fluidos; capote descartável para precauções de contato
  • Protetor ocular: obrigatório em qualquer procedimento com risco de respingo de fluidos biológicos

Seleção de EPI para Trabalho em Altura

A NR-35 regulamenta o trabalho em altura (acima de 2 metros). A seleção do EPI contra queda é crítica — um talabarte ou cinto incorreto pode não evitar a morte mesmo que evite a queda livre.

  • Cinto paraquedista Tipo A: para retenção — trabalho com risco de queda com distância limitada. Não indicado quando há risco de queda livre
  • Cinto paraquedista Tipo A/B: para sustentação e posicionamento — trabalho em que o trabalhador fica suspenso (montadores de estruturas metálicas, instaladores de antenas)
  • Cinto paraquedista Tipo A/B/C: para queda livre — trabalho em que a queda livre é possível. O absorvedor de energia é obrigatório quando a queda livre pode superar 1 metro
  • Talabarte duplo (Y): recomendado para deslocamento em altura — permite manter um talabarte ancorado sempre que o outro é desconectado para contornar obstáculos

Conclusão

A seleção correta de EPIs por setor exige análise técnica dos riscos específicos de cada função. Não existe “EPI genérico” — cada situação tem suas particularidades. Consulte o PGR e o PCMSO da sua empresa, leia as FDS dos produtos utilizados, e busque orientação de profissional de segurança do trabalho para garantir que cada trabalhador receba o EPI adequado para os riscos reais que enfrenta.

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