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Resumido e Revisados – 2023
A Surpresa dos Exercícios na Quarentena: Quando Malhar Pode Não Ser a Solução

Imagina só a cena: março de 2020, todo mundo trancado em casa por causa da pandemia, e as redes sociais começaram a se encher de pessoas falando “bora malhar em casa!”, “exercício é a solução!”, “mantém o corpo ativo que tudo vai dar certo!”. Parecia fazer todo sentido, né? Afinal, exercício sempre foi sinônimo de bem-estar e saúde mental. Só que aí veio uma pesquisa brasileira e jogou um balde de água fria nessa história toda.

O Estudo Que Virou Tudo de Cabeça para Baixo

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Ceará (UFCE) e PUC-Rio se juntaram para investigar uma coisa que parecia óbvia: será que exercício físico durante a quarentena realmente melhorava o bem-estar das pessoas? A resposta foi um sonoro “nem sempre”.

Entre os dias 31 de março e 2 de abril de 2020 – bem no comecinho da pandemia quando todo mundo ainda estava tentando entender o que estava acontecendo – eles entrevistaram 592 pessoas de todas as regiões do país. O perfil era bem diverso: 63% mulheres, 37% homens, todos maiores de 18 anos e que estavam em isolamento há pelo menos uma semana.

A Descoberta Que Ninguém Esperava

O professor Alberto Filgueiras, da Uerj, conta que o resultado foi “impactante”. A equipe esperava encontrar exatamente o que toda a literatura científica sempre mostrou: exercício = bem-estar. Mas não foi bem assim que a banda tocou durante a pandemia.

“Foi meio chocante para nós”, admite o professor. “A gente via todo mundo nas redes sociais pregando a necessidade de fazer exercício, de manter o corpo ativo. Nossa hipótese era de que qualquer pessoa ativa estaria se sentindo melhor. Não foi o que encontramos.”

O que eles descobriram foi algo bem mais complexo e nuanceado. As mudanças bruscas nos hábitos de exercício – tanto para mais quanto para menos – estavam prejudicando o bem-estar emocional das pessoas. Era como se o corpo e a mente estivessem dizendo: “Calma lá, não muda tudo de uma vez!”

Os Vilões da História: Mudanças Drásticas

A pesquisa mostrou que dois grupos específicos estavam se sentindo pior emocionalmente:

1. Pessoas que praticavam exercícios regularmente e pararam completamente durante a quarentena
2. Sedentários que de repente começaram a malhar seis, sete dias por semana
3. Qualquer pessoa que mudou drasticamente seus hábitos de exercício
4. Quem seguia “fórmulas prontas” de aplicativos sem orientação profissional

Por outro lado, tinha um grupo que estava se dando bem: as pessoas sedentárias que começaram a se exercitar de forma moderada, de três a cinco vezes por semana, com intensidade leve. Essas pessoas relataram melhoras no bem-estar. Era o famoso “devagar e sempre”.

A Explosão dos Apps e Vídeos de Treino

Uma coisa interessante que a pesquisa captou foi a explosão no uso de aplicativos e vídeos tutoriais para exercícios. Imagina: antes da pandemia, apenas 4% das pessoas usavam esses recursos. Durante o isolamento, esse número saltou para impressionantes 60%!

Todo mundo estava lá, suando na sala de casa, seguindo influencers fitness no Instagram ou baixando apps que prometiam transformar qualquer um em atleta olímpico. Mas aqui está o problema: muitas dessas pessoas estavam se sentindo mal depois dos treinos.

Como explica o professor Filgueiras: “As pessoas se sentiam mal quando faziam os exercícios prescritos por essas plataformas digitais. Nossa principal hipótese é que isso está associado à falta de individualização na prescrição do exercício.”

Por Que os Apps Nem Sempre São a Solução

Aqui está o nó da questão: exercício físico não é receita de bolo. Não dá para pegar um treino que funciona para um influencer saradão de 25 anos e aplicar para uma pessoa de 50 anos que estava sedentária há anos. É como tentar usar a mesma receita de bolo para todos os tipos de forno – pode dar muito errado.

O exercício precisa considerar uma série de variáveis: peso corporal, histórico de saúde, condicionamento atual, limitações físicas, e por aí vai. Sem essa individualização, as pessoas podem acabar com dores, lesões, falta de ar e, pior ainda, uma sensação de fracasso que piora o bem-estar emocional.

Para quem quer entender melhor sobre como diferentes fatores afetam nosso bem-estar durante crises, é importante lembrar que corpo e mente trabalham juntos, especialmente em situações de estresse como uma pandemia.

A Mudança no Perfil dos Exercícios

A pesquisa também mostrou como a pandemia mudou completamente o tipo de exercício que as pessoas faziam. Antes, 27% praticavam atividades ao ar livre – corrida no parque, caminhada na praia, futebol com os amigos. Durante a quarentena, isso despencou para apenas 3%.

Em compensação, todo mundo migrou para dentro de casa: treino de força saltou de 5,2% para 13,9%, e o treinamento funcional explodiu de 4,4% para 49,3%. De repente, todo mundo virou personal trainer da própria sala de estar.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a atividade física regular é fundamental para a prevenção e controle de doenças, mas durante a pandemia, essa relação ficou mais complexa devido ao contexto de estresse e isolamento social.

A Lição que Fica

O que essa pesquisa nos ensina é que não existem soluções mágicas, principalmente em tempos de crise. O exercício físico continua sendo fundamental para nossa saúde física e mental, mas precisa ser feito da forma certa, no tempo certo e, idealmente, com orientação profissional.

A pandemia nos mostrou que mudanças drásticas, mesmo que bem-intencionadas, podem ter efeitos contrários ao que esperamos. Às vezes, a melhor estratégia é a moderação e a paciência – algo que nossa sociedade do “tudo agora” ainda está aprendendo a valorizar.

Exercício físico em casa durante a pandemia piora a saúde mental?

Qual a importância da orientação profissional para praticar exercícios físicos no isolamento?

Quais os riscos de usar aplicativos de exercícios sem orientação profissional?

Pesquisa brasileira revela que exercícios na quarentena podem não melhorar bem-estar emocional. Mudanças drásticas nos hábitos e falta de orientação profissional foram identificadas como fatores que prejudicam a saúde mental durante o isolamento social.

Saúde e Bem-estar

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